A Predestinação

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A predestinação às vezes é empregada simplesmente como sinônimo da palavra geraldecreto”. Noutros casos serve para designar o propósito de Deus com respeito a todas as Suas criaturas morais. Mais freqüentemente, porém, denota “o conselho de Deus concernente aos homens decaídos , incluindo a eleição soberana de uns e a justa reprovação dos restantes”.

a. A Doutrina da Predestinação na História

Os primeiros pais da igreja não tinham uma clara concepção do assunto e, em geral, a consideravam como a presciência de Deus com referência aos atos humanos, baseado na qual Ele determina o seu destino futuro.

Segundo Pelágio, “a predeterminação da salvação ou condenação, funda-se na presciência”, ou seja, ela não é absoluta e, sim, condicional.

A princípio, o próprio Agostinho estava inclinado a esta maneira de ver, mas uma profunda reflexão sobre o caráter soberano do beneplácito de Deus levou-o a ver que a predestinação não dependia de modo algum da presciência divina das ações humanas, mas, antes, era a base da presciência de Deus, e, por isso ele ensinava a dupla predestinação.

Os semipelagianos também criam em uma predestinação baseada na presciência.

Nos fins da Idade Média, ficou evidente que a Igreja Católica admitiria ampla latitude quanto à doutrina da predestinação. Quanto os seus mestres sustentavam que Deus queria a salvação de todos os homens, e não apenas dos eleitos, podiam igualmente, com Tomaz de Aquino, mover-se na direção do agostinianismo, quanto a predestinação absoluta, ou, com Molina, seguir o curso do semipelagianismo.

Todos os reformadores do século dezesseis defenderam a mais estrita doutrina da predestinação. Lutero aceitava a a doutrina da predestinação, se bem que com a convicção de que Deus queria que todos os homens fossem salvos o levou a enfraquecer um tanto a doutrina da predestinação nos último anos de sua existência. Calvino sustentou a doutrina agostiniana da predestinação dupla e absoluta.

Nas igrejas do tipo arminiano, a doutrina da predestinação foi suplantada pela doutrina da predestinação condicional.

b. Termos Bíblicos Para a Predestinação

b.1 A Palavra Hebraica yada’ e as Palavras Gregas ginoskein e proginoskein: a palavra yada’ pode significar simplesmenteconheceroutomar conhecimento” de alguém ou de alguma coisa, mas também pode ser empregada no sentido mais denso de “tomar conhecimento de alguém com amoroso cuidado”, oufazer de alguém objeto de amoroso cuidado ou de amor eletivo” (Gn 18:19; Am 3:2; Os 13:5). O sentido das palavras proginoskein e prognosis do Novo Testamento não é determinado pelo uso que delas é feito no grego clássico, mas pelo sentido especial de yada’. Elas não indicam simplesmente previsão ou presciência intelectual, a mera obtenção do conhecimento de alguma coisa de antemão, mas sim, um conhecimento seletivo que toma em consideração alguém favorecendo-o, e o faz objeto de amor, e, assim, aproxima-se da idéia de predeterminação (At 2:23 e 28; Rm 8:29; Rm 11:2 e I Pe 1:2).

b.2 A Palavra Hebraica bachar e as Palavras Gregas eklegethai e ekloge: A ênfase desta palavra recai no elemento de escolha ou seleção do decreto de Deus concernente ao destino eterno dos pecadores, escolha acompanhada por seu beneplácito. Geralmente refere-se a uma eleição anterior e eterna (Rm 9:11; Rm 11:5; Ef 1:4; II Ts 2:13)

b.3 As Palavras Gregas proorizein e proorismos: Estes vocábulos sempre se referem à predestinação absoluta, tanto para um fim bom ou mau (At 4:28; Ef 1:5). Contudo, o fim a que se referem não é o fim último, mas um meio para o fim último (At 4:28; Rm 8:29; I Co 2:7; Ef 1:5,11).

b.4 As Palavras Gregas protithenai e prothesis: Neste vocábulo temos a idéia de que Deus põe diante de si um plano definido ao qual se apega firmemente. Refere-se claramente ao propósito de Deus, de predestinar certos homens para a salvação (Rm 8:29; Rm 9:11; Ef 1:9,11; II Tm 1:9).

c. O Autor e os Objetos da Predestinação

c.1 O Autor: Na economia da salvação a eleição eterna é atribuída ao Pai (Jo 17:6,9; Rm 8:29; Ef 1:4; I Pe 1:2).

c.2 Os Objetos da Predestinação: Em distinção do decreto geral de Deus, a predestinação diz respeito à suas criaturas racionais, isto é:

i. Todos Os Homens: não meramente como grupos, mas como indivíduos (At 4:28; Rm 8:29,30, Rm 9:11-13; Ef 1:5,11).

ii. Os Anjos: A Bíblia não somente fala de anjos santos (Mc 8:38; Lc 9:26) e de anjos ímpios, que não conservaram o seu estado original (II Pe 2:4; Jd 6); mas também faz explícita menção de anjos eleitos II Tm 5:21, implicando com isso que tambémanjos eleitos. Isto significa que Deus, por razões para Ele suficientes, decretou dar a um certo número de anjos, em acréscimo à graça de que foram dotados pela criação e que incluía uma grande capacidade para permanecerem santos, a graça especial da perseverança; e privar destas os demais. Há dois pontos de diferença entre a predestinação dos homens e a dos anjos: (1) Enquanto se pode pensar na predestinação dos homens como infralapsária, a dos anjos pode ser entendida como supralapsária, uma vez que Deus não os escolheu dentro de certo número de anjos caídos; (2) Os anjos não foram eleitos ou predestinados em Cristo como Mediador, mas sim, como chefe, isto é, para estarem em relação ministerial (de serviço) com Ele.

iii. Cristo Como Mediador: Cristo foi objeto da predestinação no sentido de que ele foi escolhido como Mediador da aliança do Pacto da Graça desde toda a eternidade ( abkABC).

d. Partes da Predestinação

A predestinação incluem partes, a saber, eleição e reprovação, a predeterminação dos bons como dos maus para o seu fim definitivo e para certos fins próximos, que servem de instrumentos para o cumprimento do seu destino final.

d.1 A Eleição: a Bíblia fala de eleição em mais de um sentido. Há (1) a eleição de Israel como povo, para privilégios e serviços especiais (Dt 4:37; Os 13:5); (2) a eleição de indivíduos para algum ofício ou para a realização de algum serviço especial (Ex 3; I Sm 10:24; Jo 6:70); (3) eleição de indivíduos parta serem filhos de Deus (Mt 22:14; Rm 11:5; Ef 1:4; II Pe 1:10). Esta última é a eleição aqui considerada como parte da predestinação. Pode-se, assim,definir a predestinação como o ato eterno de Deus pelo qual Ele, em seu soberano beneplácito, e sem levar em conta nenhum mérito previsto nos homens, escolhe um certo número deles para receberam a graça especial e a salvação eterna. Mais resumidamente, pode-se dizer que a eleição é o propósito de Deus, de salvar certos membros da raça humana, em Jesus Cristo e por meio dele.

i. Características da Eleição: As características da eleição e as dos decretos em geral são idênticas, vejamos:

* Ela é Uma Expressão da Vontade Soberana de Deus: Deus Pai soberanamente escolheu salvar os homens (Rm ) e valendo-se de sua total soberania e livre vontade estabeleceu em Cristo a salvação dos pecadores (E 1:1-5). E ao dizer-se que o decreto da eleição se origina no beneplácito divino exclui-se também a idéia de que ela é determinada por alguma coisa existente no homem como a ou as obras previstas (Rm 9:11; II Tm 1:9).

* Ela é Imutável: Portanto, Torna Segura a Salvação dos Eleitos. É propósito de Deus que certos homens creiam e perseveram até o fim, e Ele assegura este resultado pela obra objetiva de Cristo e pelas operações subjetivas do Espírito santo (Rm 8:29,30; Rm 11:29; II Tm 2:19)

* Ela é Eterna: Ele escolheu os homens, para serem salvos, desde toda a eternidade (Ef 1:1-5; Rm 8:29,30).

* Ela é Incondicional: Isto é, não depende de modo algum da ou das obras humanas previstas (como ensinam os arminianos), mas exclusivamente da vontade soberana de Deus que é o originador da e das boas obras (Rm 9:11; At 13:48; II T 1:9; I Pe 1:2).

* Ela é Irresistível: Isto não significa que o pecador não se oporá ao chamado de Deus, mas sim que a sua oposição não prevalecerá, a graça divina triunfará sobre a lei do pecado e morte (Sl 110:3; Fp 2:13; Rm ).

* Ela não merece a acusação de Injustiça: podemos falar de injustiça quando uma parte pode reivindicar algo de outra. Se Deus devesse o perdão do pecado e a vida eterna a todos dos homens, seria, de fato, injustiça se Ele salvasse apenas um número limitado deles. Mas o pecador não tem nenhum direito ou alegação que possa apresentar quanto às bênçãos decorrentes da eleição divina. De fato, ele perdeu o direito a essas bênçãos. Não somente não tem direito de pedir contas a Deus de eleger uns e omitir outros, como também devemos admitir que Ele seria perfeitamente justo, se não salvasse ninguém (Mt 20:14,15; Rm 9:14,15).

ii. O Propósito da Eleição: O propósito da eleição é duplo:

* O propósito próximo é a salvação dos eleitos (Rm 11:7-11; II Ts 1:13).

* O objetivo final é a glória de Deus. A manifestação da sua soberana graça na salvação dos pecadores eleitos e a demonstração de sua inviolável justiça na condenação dos pecadores impenitentes (Ef 1:6,12,14).

d.2 A Reprovação

i. A Reprovação na História: Agostinho ensinou a doutrina da reprovação, bem como a da eleição. Em geral os católicos romanos, e a grande maioria dos teólogos luteranos, arminianos e metodistas, rejeita, esta doutrina em sua forma absoluta. Estes quando falam em reprovação, limitam-se a afirmar em uma reprovação baseada na presciência. Calvino tinha consciência da seriedade desta doutrina, pois fala dela como umdecreto horribile” (decreto terrível). Não obstante, não se sentiu com liberdade para negar o que ele considerava uma importante verdade da Escritura.

ii. Exposição da Doutrina: pode-se definir a reprovação como o decreto eterno de Deus pelo qual Ele determinou deixar de aplicar a um certo número de homens as operações da sua graça especial, e puni-los por seus pecados, para a manifestação da sua justiça. Segundo a descrição mais comum na teologia reformada calvinista, o decreto da reprovação compreende dois elementos, a saber: (1) A Preterição: Consiste no ato soberano de Deus em determinar deixar de lado alguns homens (Rm 1:24-26) e (2) A Condenação: Consiste na ação justa e santa do Deus soberano em determinar a punição dos que são deixados de lado (Rm 11:18). Contudo, devemos notar diversos pontos de distinção entre os dois elementos do decreto da reprovação:

* A preterição é um ato soberano no qual os deméritos do homem não entram em consideração, ao passo que a pré-condenação é um ato judicial que impõe castigo.

* O motivo da preterição é desconhecido para o homem. O pecado não pode ser pois todos são pecadores. o motivo da condenação é o pecado.

* A preterição é puramente passiva, um simples ato de deixar de lado, sem nenhuma ação exercida no homem. Mas a condenação é eficiente e positiva.

iii. Prova da Doutrina da Reprovação: O decreto da eleição implica inevitavelmente o decreto da reprovação. Se o Deus de toda sabedoria, de posse de conhecimento infinito, se propôs eternamente a salvar, então, ipso facto, também se propôs eternamente a deixar de salvar outros (Mt 11:25,26; At 14:48; Rm 9:13,17,18,21; Rn 11:7; Jd 4; I Pe 2:8).

d.3 Observação Final: Devemos estar vigilantes contra a idéia de que, como a eleição e a reprovação determinam com certeza absoluta o fim para o qual o homem é predestinado e os meios pelos quais esse fim é atingido, também implica que, tanto no caso da reprovação como no da eleição, Deus faz acontecer, por sua eficiência pessoal e direta, tudo quanto Ele decretou. Significa que, conquanto se possa dizer que Deus é o Autor da regeneração, da vocação eficaz, da , da justificação e da santificação dos eleitos e, portanto, mediante a sua ação direta sobre eles, leva a eleição deles à realização concreta, não se pode dizer que Ele é também, o autor da queda, da condição iníqua e dos atos pecaminosos dos reprovados, agindo diretamente sobre eles, e, portanto, sendo responsável direto por isso tudo, efetuando a concretização da reprovação deles. Sem dúvida nenhuma, o decreto de Deus deu certeza à entrada do pecado no mundo, mas Ele não predestinou alguns para o pecado, como predestinou outros para a santidade.

A posição que Calvino toma sobre este ponto é claramente indicada nos seguintes pronunciamentos: “Embora a vontade de Deus seja suprema e a primeira causa de todas as coisas, e Deus mantenha o diabo e todos os ímpios sujeitos à Sua vontade, não obstante, Deus não pode ser denominado causa do pecado, nem autor do mal, e nem está exposto a nenhuma culpa”. “Embora o diabo e os reprovados sejam servos e instrumentos de Deus para a execução das sua decisões secretas, não obstante, de maneira incompreensível, Deus de tal modo age neles e por meio deles que não contrai nenhuma mancha da perversão deles, porque utiliza a malícia deles de tal maneira justa e reta, para um bom fim, apesar de muitas vezes estar oculta aos nossos olhos essa maneira”. “Agem com ignorância e calúnia os que dizem que, as coisas sucedem pela vontade e ordenação de Deus, Ele é o autor do pecado; porque não fazem distinção entre a depravação dos homens e os desígnios ocultos de Deus”.

e. Teorias Concernentes a Predestinação

No transcurso histórico do pensamento reformado calvinista sobre a predestinação apareceram três correntes doutrinárias decorrentes da questão sobre a ordem dos decretos divino. Estes correntes foram conhecidas como: Supralapsarianismo, Infralapsarianismo e Universalismo Hipotético.

e.1 Supralapsarianismo:

Este termo vem de dois outros: supra [acima] + lapsus [queda]. Defende que devemos entender a predestinação como um processo de planejamento que passa do fim para os meios como em retrocesso. Se o fim de tudo, dizem eles, é a glória de Deus, foi isto a primeira coisa a ocorrer na mente divina. Deus decidiu para a manifestação de sua própria glória, salvar alguns e condenar outros, como revelação respectivamente de sua misericórdia e de sua justiça. Então decidiu criar os homens, permitir a queda, e enviar Cristo para salvar os eleitos. Neste esquema, Deus a tratar a queda apenas como um meio para alcançar um fim. A mais citada referências da Escritura por parte dos supralapsários é Rm 9.

e.2 Infralapsarianismo:

Este termo vem de dois outros: infra [sob, abaixo] + lapsus [queda]]. Defende que a eleição divina de algumas pessoas para a salvação e a rejeição de outras para a condenação ocorreram na mente de Deus após haver Ele contemplado todo gênero humano caído e perdido. A ordem, portanto, dos decretos seria a seguinte: (1) criar; (2) permitir a queda; (3) Eleger alguns, do meio da assa perdida, para a salvação, e deixar o restante para sofrer o justo castigo de seus pecados; (4) prover um meio de salvação para os eleitos.

Os infralapsários recorrem mais particularmente às passagens da Escritura nas quais os objetos da eleição aparecem numa condição de pecado, em estreita relação com Cristo e como objetos da misericórdia e da graça de Deus (Mt 11:25,26; Jo 15:19; Rm 8:28,30; Rm 9:15,16; Ef 1:4-12; II Tm 1:9).

e.3 Universalismo Hipotético

Este sistema teológico foi concebido por alguns teólogos presbiterianos franceses de Saumur, cerca de 1630-50. Nesse esquema apresentaram Deus como primeiramente (em ordem, não no tempo) a intentar a criação do homem. Segundo, a colocá-lo sob um pacto de obras e a permitir sua queda. Terceiro, a enviar Cristo para prover e oferecer satisfação por todos. Masquarto – prevendo que todos com certeza a rejeitariam por causa da total depravação deles, em sua soberana misericórdia escolheu alguns do meio da massa dos rebeldes, chamando esses escolhidos por uma vocação eficaz.

Supuseram esses teólogos que tal teoria removeria as dificuldades concernentes ao alcance do sacrifício de Cristo, e também conciliaria as passagens bíblicas, que declaram a compaixão universal de Deus pelos pecadores, com a reprovação dos não eleitos.

e.4 Quadro Comparativo


SUPRALAPSARIANISMO

INFRALAPSARIANISMO

UNIVERSALISMO HIPOTÉTICO

O

R

D

E

M

D

O

S

D

E

C

R

E

T

O

S

Decreto de salvar uns e reprovar outros, a fim de revelar sua misericórdia e sua justiça.

Decreto de criar todas as coisas

Decreto de criar todas as coisas

Decreto de criar os eleitos e os reprovados

Decreto de permitir a queda

Decreto de permitir a queda

Decreto para permitir a queda

Decreto eleger alguns, do meio da massa de pessoas perdidas, para a salvação, e deixar o restante para sofre o justo castigo de seus pecados

Decreto de prover e oferecer um meio de salvação para todos

Decreto de provê salvação para os eleitos.

O decreto de prover um meio de salvação para os eleitos

Prevendo que todos com certeza o rejeitariam por causa da total depravação deles, em sua soberana misericórdia escolheu alguns

APÊNDICE - III

1. CONFISSÃO DE FÉ WESTMINSTER: Cap III - Dos Decretos de Deus

I. Desde toda a eternidade e pelo mui sábio e santo conselho de sua própria vontade, Deus livremente e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem é violentada a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou a contingência das causas secundárias antes estabelecidas.

II. Ainda que Deus sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, ele não declara coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer em tais e tais condições.

III. Pelo decreto de Deus e para a manifestação da sua glória, alguns homens e anjos são predestinados para a vida eterna e outros preordenados para a morte eterna.

IV. Esses homens e anjos, assim predestinados e preordenados, são particular e inalteravelmente designados; e o seu número é tão certo, que não pode ser nem aumentado nem diminuído.

V. Segundo o seu eterno e imutável propósito, e segundo o seu santo conselho e beneplácito de sua vontade, antes que fosse o mundo criado, Deus escolheu em Cristo, para a glória eterna, os homens que são predestinados para a vida; para o louvor da sua gloriosa graça, ele os escolheu de sua mera e livre graça e amor, e não por previsão de , ou de boas obras e perseverança nelas, ou de qualquer outra coisa na criatura que a isso o movesse, como condição ou causa.

VI. Assim como Deus destinou os eleitos para a glória, assim também, pelo eterno e mui livre propósito de sua vontade, preordenou todos os meios conducentes a esse fim; os que, portanto, são eleitos, acham-se caídos em Adão, são remidos por Cristo, são eficazmente chamados para a em Cristo, pelo seu espírito que opera no tempo devido, são justificados, adotados, santificados e guardados pelo seu poder, por meio da salvadora. Além dos eleitos nãonenhum outro que seja remido por Cristo, eficazmente chamado, justificado, adotado, santificado e salvo.

VII. Segundo o inescrutável conselho de sua própria vontade, pela qual ele concede ou recusa misericórdia, como lhe apraz, para a glória de seu soberano poder sobre as suas criaturas, para louvor de sua gloriosa justiça, o resto dos homens foi Deus servido não contemplar e ordená-los para a desonra e ira por causa de seus pecados.

VIII. A doutrina deste alto mistério de predestinação deve ser tratada com especial prudência e cuidado, a fim de que os homens, atendendo à vontade de Deus, revelada em sua Palavra, e prestando obediência a ela, possam, pela evidência de sua vocação eficaz, certificar-se de sua eterna eleição. Assim, a todos os que sinceramente obedecem ao Evangelho, esta doutrina fornece motivo de louvor, reverência e admiração para com Deus, bem como de humildade, diligência e abundante consolação.

2. CATECISMO MAIOR: Perguntas de 12 - 14

12. Que são os decretos de Deus?

Os decretos de Deus são os atos sábios, livres e santos do conselho da sua vontade, pelos quais, desde toda a eternidade, Ele, para a sua própria glória, imutavelmente predestinou tudo o que acontece, especialmente com referência aos anjos e ,os homens.


Isa. 45:6-7; Ef. 1:11; Rom. 11:33; Sal. 33:11: Ef. 1:4; Rom. 9:22-23.


13. Que decretou Deus especialmente com referência aos anjos e aos homens?

Deus, por um decreto eterno e imutável, unicamente do seu amor e para patentear a sua gloriosa graça, que tinha de ser manifestada em tempo devido, elegeu alguns anjos para a glória, e, em Cristo, escolheu alguns homens para a vida eterna e os meios para consegui-la; e também, segundo o seu soberano poder e o conselho inescrutável da sua própria vontade (pela qual Ele concede, ou não, os seus favores conforme lhe apraz), deixou e predestinou os mais à desonra e à ira, que lhes serão infligidas por causa dos seus pecados, para patentear a glória da sua justiça.


I Tim. 5:21; Ef. 2A0; II Tess. 2:13-14; 1 Pedro 1:2; Rom. 9:17-18, 21-22; Judas 4; Mat. 11:25-26.


14. Como executa Deus os seus decretos?


Deus executa os seus decretos nas obras da criação e da providência, segundo a sua presciência infalível e o livre e imutável conselho da rua vontade.

Dan. 4:35; Ef. 1:11.

Quem sou eu

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Doutorando em Ciências da Religião (PUC-GO), Mestre em Ciências da Religião (PUC-GO), Licenciatura em Pedagogia (UVA-CE), História (UVA-CE), Matemática (UNIFAN-GO) e Bacharel em Teologia (FACETEN-Ro). Professor de Metodologia do Ensino da Matemática; Metodologia do Ensino das Ciências Naturais; Educação e Cultura; Fundamentos Epistemológicos da Educação e Educação, Sociedade e Meio Ambiente, Filosofia, Ética, Ciências Políticas (FANAP).

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